Resumo Executivo
Resumo Executivo
Projeto:
ESCOLA MATA ATLÂNTICA – EMA
Centro de Estudos de Plantas Medicinais, Agroecologia e Cultura Livre
Aldeia Velha – Silva Jardim RJ – Brasil
Contatos:
escoladamataatlantica@gmail.com
Tainá Miê Seto Soares (21) 2551-0324 tainamie@gmail.com
Tadzia de Oliva Maya (021) 2540-6102 tadziamaya@gmail.com
Perfil:
RESUMO DO PROJETO – A Escola da Mata Atlântica é um projeto-piloto de eco-educação, que busca através do diálogo entre conhecimento tradicional e conhecimento técnico-científico, uma perspectiva sócio ambiental. A cultura é o principal meio de introdução e resgate de formas ecológicas favoráveis à melhoria ou manutenção da qualidade de vida local. A formação de redes de produtores, a pesquisa sobre a história comunitária, os costumes, as lendas, as brincadeiras e locais de memória fazem parte de uma estratégia de trabalho em que a vida no campo possa ser revalorizada. Novas propostas de formação profissional, através de cursos e oficinas são desenvolvidas a partir da problemática do êxodo rural, realizando em acordo com a proposta do Ministério do Desenvolvimento Agrário que prevê a criação de escolas agroecológicas de acordo com os biomas brasileiros, gerando acesso e qualificação de profissionais na área ambiental.
GRUPO GESTOR - O grupo gestor é formado por moradores nativos e/ou residentes, estudantes e profissionais já graduados em áreas afins como Ciências Sociais, História, Geografia, Jornalismo, Artes Cênicas, Produção Cultural, Engenharia Florestal e Botânica, da UFRJ, UERJ, UFF e UFRRJ e com o tempo espera-se que mais profissionais de outras áreas do conhecimento juntem-se ao projeto. Alguns do grupo já possuem experiências em Hortas Comunitárias, Agroecologia, Saúde Alimentar, Manejo Participativo de Comunidades Tradicionais, Alfabetização de Adultos, Difusão dos Softwares Livres, Resgate de Cultura Popular, Regeneração de Áreas Degradadas, Implementação de Viveiros Florestais e Formação de Redes.
GRUPOS DE TRABALHO
Coordenação:
Julia Grillo Botafogo, produtora cultural – UFF.
Tainá Mie Seto Soares, historiadora – IFCS/UFRJ e
Tadzia de Oliva Maia, jornalista – UERJ.
Membros:
Carolina Carvalho Landeira, historiadora – IFCS/UFRJ
Carlos Henrique Nicolau - graduando de Ciências Sociais – IFCS/UFRJ.
Gustavo Pollmann - graduando de Engenharia Florestal - UFRRJ
Leandro Basil, graduando de Ciências Sociais – IFCS/UFRJ.
Lucas Quintana- graduando cinema – PUC/RJ
Ludmilla Rolin- cenógrafa – UNIRIO
Luiza Brettas- artes cenicas– UNIRIO
Miguel Zin- musico
Paloma Sol Hertz Cunha, geógrafa – UFRJ.
Tainá Del Negri, jornalista e fotografa - UERJ
Taiza Zin, jornalista – Estácio
Agentes Locais:
Alex Knupp, Curso Superior de Gestão de Recursos Humanos, Universidade Estácio de Sá/Macaé
Aliandro Oliveira, graduando de biologia - Unigranrio, poeta local
Argeu Carvalho Peclat, agente local
Honorair Schüller, artesão local.
Marquinho Tostes, difusor das antigas cantigas e brincadeiras de roda.
Neilton Garcia de Fonseca, agricultor
Tiago Rangel Victer, artesão local.
Rede de Produtores:
Antônio Jorge Pintor, agricultor
Anilce Macedo Costa ,bordado e crochê
Alneir (Neir) Fonseca Rodrigues, agricultor
Alci Luis Baloneque, produtor de leite
Carmita Rodrigo Grativol (Carminha), Sabão e detergente de óleo queimado.
Cenira de Oliveira, comida tradicional
Clemente Alcides Rodrigues (Alcides), produtor de farinha.
Elenice de Oliveira Santos Garcia, roupas.
Eros, Banda Brejo
Fernando e Serginho (Vitamina), Filhos D’Aldeia
Felipe Rodrigues netto, Tapete de Retalho.
Gisela Vieira Macedo, Artesanato
Herminda Martins Pintor, cozinha organica
Inti Macthikan Castro Marins, Artesanato em cerâmica, arame e material natural.
Ismael Lopes de Oliveira (Maeco), agricultor
Ivane Neto, Fribra de bananeira e utensílios em jornal
Jailton (Aldeia Rock Festival)
Jacira,roupas e colcha de retalho
S. Israel, agricultor.
Marlene Lopes Soares Antoni, comida tradicional
Maria das Graças F Batista (Gracinha), Queijo
Mezair Rodrigues Netto, Cultivo de Mel
Neide Martins Pintor, cozinha organica
Nedir Rodrigues,Vassouras de Cipó e Iri
Osail Garcia de Miranda, agricultor
Priscila da Silva Gomes, Bijuteria e crochê
Sirley, cultivo de mel
Vanderli e Norma,banana, leite, aipim, cana, ovo caipira
Valdir,leite
Vanessa Laterza, Bijuteria
Zene Rodrigues Gomes, Queijo, bolinho de aipim, bolo Emanuê (trigo), pão
Parcerias:
ANDA BRASIL
ASPT-A
Bioma Soluções Ambientais
CIAEX/UFF
DOA/UFF
Escola Municipal Vila Silva Jardim
FASE/ SAAP
GAE UFRRJ / Grupo de Ação Agroecológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Horta Municipal de Plantas Medicinais de Casimiro de Abreu
IACS/UFF
MDA/ Ministério do Desenvolvimento Agrário
Ministério da Fazenda / Secretaria da Receita Federal
MSLRS / Movimento de Software Livre do Rio Grande do Sul
Ocas Arquitetura
ONG Kokopeli Sementes
ONG Verde Cidadania
Porta Curta Petrobrás
PSA-ST / Posto de Saúde de Santa Teresa
PROAC/UFF
PROEX/UFF
Rádio Pulga IFCS / UFRJ
Rede Fito Vida
REDE TRAF/ Rede de Turismo Rural
Safety Health
SESJ/Secretaria de Educação de Silva Jardim
SMASJ / Secretaria de Meio Ambiente de Silva Jardim
SAPCA / Secretaria de Agricultura e Pesca de Casimiro de Abreu
STSJ/ Secretaria de Turismo de Silva Jardim
UFF / Universidade Federal Fluminense
UFRRJ/ Fazenda Agroecológica
Videoteca Mudanças – Formação da dvdoteca da Casa de Sementes
Visão:
No município de Silva Jardim, na divisa com o município de Casimiro de Abreu, se encontra a vila de Aldeia Velha. Nesta, diversos fatores contribuem para o desenvolvimento de projetos educativos ligados ao meio ambiente e a cultura popular. Em primeiro lugar, o grau de conscientização ambiental e receptividade dos moradores, depois, a longa ação dos ambientalistas da RPPN Bom Retiro de reintrodução do Mico Leão Dourado. Esses fatores se aliam à presença da maior concentração de RPPN's, Reservas Particulares do Patrimônio Natural, do estado do Rio de Janeiro e a proximidade de uma Reserva Biológica, a de Poço das Antas, bem como sua divisa com assentamentos de reforma agrária, onde projetos de agroecologia vêm sendo introduzidos.
A Escola da Mata Atlântica visa:
Capacitar os próprios moradores para a gestão coletiva da EMA, através da valorização dos conhecimentos tradicionais, noções de cidadania ecológica, formação de redes e melhoria da qualidade de vida;
Difundir técnicas pedagógicas como as de Paulo Freire, Freinet, Waldorf e José Pacheco;
Ser um centro de estudos focado na pesquisa, extensão e formação de profissionais na área ambiental;
Construir um banco de sementes caboclas, a Casa das Sementes Livres, com laboratório e videoteca;
Realizar um diagnóstico rural participativo com a comunidade;
Trabalhar a transição agroecológica na região, valorizando o conhecimento etnobotânico e o cooperativismo;
Assegurar a continuidade das ações do "Aldeia Cultural" (I Mostra de Conhecimento Tradicional de Aldeia Velha), e da "Rede de Produtores" ;
Trabalhar a pesquisa, o uso de plantas medicinais e a produção de produtos fitoterápicos no Posto de Saúde;
Construir uma biblioteca comunitária, através da sistematização e incentivo às pesquisas sobre a história, cultura e práticas agrícolas;
O resgate da identidade histórico-cultural e as tradições locais, sobretudo através da troca de conhecimento entre os mais velhos e os mais novos;
Introduzir a informática através do uso do laboratório de software-livre da Escola Municipal de Aldeia Velha;
Introduzir linguagens audiovisuais, de exibição e produção;
Desenvolver um sistema de monitoramento e avaliação do projeto assegurando sua continuidade.
Investimento:
A Escola mesmo já tendo recebido financiamentos em dinheiro e através de doação de equipamentos e materiais, tende a ser sustentável com o decorrer do projeto, já que irá contar com projetos de áreas modelo de produtos medicinais, hortas orgânicas de valor agregado, construção de viveiros florestais, reflorestamentos, produção audiovisual, videoteca, produção bibliográfica, feiras, venda de sementes, selos solidários e de produção familiar. É importante ressaltar que a participação nos cursos oferecidos pela Escola da Mata Atlântica será livre e gratuita durante todo o decorrer do projeto, da implantação ao término, se este ocorrer. A democratização do conhecimento é a principal meta do projeto, principalmente expandindo os projetos universitários extensionistas.
A Escola da Mata Atlântica não tem fins lucrativos e busca o reconhecimento do governo federal como estabelecimento de ensino técnica agroecológico, reconhecida a carência de instituições desse tipo no país. Na continuidade do projeto, a EMA se inscreverá nos programas de governo para viabilizar suas ações. Um dos editais previstos é o de Ponto de Cultura, do Ministério da Cultura, também no Programa Nacional de Extensão Rural e Assistência Técnica do Ministério do Desenvolvimento Rural e em entidades não-governamentais compatíveis com a proposta do projeto caso estas não recebam financiamento de instituições poluidoras como a Fundação Ford, a Souza Cruz e a Shell. Buscam-se parceiros coerentes com a proposta de transição agroecológica de poluentes para não poluentes, buscando primeiro apoio governamental.
Hitórico/Eventos/Produtos:
2006:
- Reuniões Comunitárias
- Apresentação do projeto através de um espetáculo circense;
- Viveiro Comunitário e horta de Plantas Medicinais Comunitária;
- Projeção de filmes abertos à comunidade;
- Mapeamento Histórico Cultural pesquisa, catalogação de produtores locais;
- Rede de Produtores de Aldeia Velha, distribuição de placas indicativas fixadas em frente a casa dos produtores locais;
- Confecção do Calendário 2007, contendo fotos de membros da Rede;
- Confecção de 2 mapas êmicos pela comunidade;
- Pesquisa histórica e Filmagem do documentário "Aldeia Velha e suas Raízes", 45 min;
- Aldeia Cultural – I Mostra de Conhecimento Tradicional de Aldeia Velha, exposição, feira e oficinas.
2007:
- Curso de Formação dos Gestores da Casa de Sementes;
- Construção da Casa de Sementes;
- Cine Mata Atlântica;
- Confecção de DVD`s "Aldeia Velha e suas Raízes" contendo: documentário (45 min), making off (3min) e vídeo de aprentação do evento Aldeia Cultural (3 min);
- Confecção Calendário 2008, contendo pesquisa agroecologica e desenhos de crianças locais;
- Confecção ploter Mapas Emicos para fixar na Cidade oferecendo um circuito alternativo;
- Elaboração do Selo de Produção Familiar;
- Aldeia Cultural: II Mostra de Conhecimento Tradicional de Aldeia Velha, feira de sementes e produtos.
- Elaboração do Projeto Pedagógico
2008, em construção:
- Institucionalização da EMA;
- Elaboração do Site da Escola da Mata Atlântica;
- Laboratório de edição;
- Biblioteca e Videoteca Comunitária;
- Livro sobre a vila de Aldeia Velha, contendo lendas, cantigas e ilustrações pelos moradores.
Ponto – chave:
Dentro da perspectiva de melhoria da saúde da população local, a EMA estimula a conservação, o estudo e o cultivo de plantas medicinais como forma de viabilizar o acesso às formas de tratamento naturais e sem patentes. O uso de plantas medicinais resistiu na comunidade, apesar de também estar sendo abandonada pela desvalorização dos conhecimentos tradicionais. Essas formas de cura são uma resistência cultural que afirma existirem conhecimentos locais capazes de solucionar questões como a da saúde sem ter depender totalmente dos métodos da urbanidade. Entretanto, esses métodos devem ser pesquisados, catalogados e complementados com técnicas contemporâneas para que o uso dessas plantas possa ser enquadrado nos parâmetros do SUS, Sistema Único de Saúde, que já os utiliza na sua rede pública de postos de saúde.
Por fim, o que une e dá sentido a todas essas ações é a idéia da democratização do conhecimento. Na contemporaneidade, o mundo assiste ao embate entre a propriedade intelectual e a cultura livre, entre as patentes e as restrições à livre circulação de informações de um lado e ao crescimento de comunidades defensoras da inteligência coletiva de outro.
A EMA quer firmar-se como um Centro de Estudos público, onde o conhecimento não seja tratado como mercadoria, mas como material comum da humanidade, servindo ao desenvolvimento e autonomia dos povos. Por isso, apropria-se dos conceitos de copyleft, contrapondo-se aos direitos reservados do copyright, de generosidade intelectual e conhecimento coletivo.
Com a expansão dos saberes e a facilitação da circulação de informação, a EMA acredita estar dividindo os problemas e assim agregando inteligência em suas soluções. A cultura livre, sem barreiras monetárias e sem discriminações, pode fortalecer a sustentabilidade de uma comunidade, que pode também se tornar um pólo de expansão dessa cultura agroecológica. A proposta é repassar o conhecimento adquirido durante anos de vida acadêmica de forma a quebrar o ciclo vicioso de educação superior separada do ensino de extensão, favorecendo a comunidade.
Conceitos: Agroecologia, Agricultura Ecológica, Agrofloresta e Permacultura:
Estes são termos contemporâneos para formas muito antigas, indígenas na sua maioria, de trabalhar com os recursos do meio ambiente. Essas raízes se mantiveram na cultura popular tradicional, através da oralidade, nas formas de manejo florestal e nas formas de plantio dos roçados policulturais consorciados. A partir da década de 60, essas formas foram sendo pesquisadas por cientistas, na busca por uma agricultura mais harmoniosa com o meio ambiente, que apresentasse menos risco para a saúde humana e do planeta. Pesquisadores como Miguel Altieri e Bill Mollison viajaram por diversos países buscando nas culturas indígenas técnicas que eram utilizadas há milênios sem alterar drasticamente o ecossistema e capaz de gerar uma auto-sustentabilidade desses povos. Como estes eram capazes de controlar as pragas e a escassez das colheitas se o roudap, assim como os fertilizantes químicos eram tão recentes. Essas são as raízes desses termos.
Referências:
CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida. Uma nova concepção científica dos sistemas vivos. Tradução: Newton Roberval Eichemberg. SP: Ed. Cultrix, 1996.
CUNHA, L. H. (2004) "Da "Tragédia dos Comuns" à Ecologia Política: Perspectivas Analíticas para o Manejo Comunitário dos Recursos Naturais". Raízes, Campina Grande, Vol. 23 n°s 01 e 02
DIEGUES, Antonio Carlos. O Mito Moderno da Natureza Intocada. São Paulo: 2°EdHucitec, 1998.
DIAS, Reinaldo. Turismo Sustentável e Meio Ambiente – São Paulo: Atlas, 2003
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Paz e Terra, 2004.
