INFORME III - 07 de Outubro de 2009
>> Vem aí o Aldeia Cultural
A terceira edição do Aldeia cultural - II Mostra de conhecimento tradicional de Aldeia Velha - data a confirmar. O evento acontecerá novamente no povoado de Aldeia Velha, distrito de Silva Jardim, e pretende articular moradores do campo e da cidade na busca de um turismo tradicional, focado na rede de produtores locais e na valorização da cultura caipira.
Durante a Mostra será realizada a inauguração da Casa de Sementes Livres da Escola da Mata Atlântica, coletivo responsável pela organização e produção. A programação está sendo montada. Envie sugestão de bandas, oficinas de teatro, circo, ecologia, música e de filmes e debates ligados aos temas da agroecologia, plantas medicinais e cultura livre para o email escoladamataatlantica@gmail.com, escrevendo no assunto "sugestão III aldeia cultural".
[Veja o curta da primeira edição da Mostra]
>> Brasil quer ser referência mundial em software livre
O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) quer transformar o Brasil em um centro internacional de referência em software livre, dentro de um ambiente de redes de colaboração. Para isso, é preciso avaliar fatores como a qualidade do produto e o processo de desenvolvimento, destacou nesta quinta-feira Jarbas Lopes Cardoso, coordenador de projetos de cooperação do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, do MCT.
A expectativa é colocar à disposição da sociedade, em outubro próximo, em uma comunidade que vai se chamar 5CQualiBR, os primeiros resultados do projeto, que incluem modelos de testes, avaliação de produtos e processos.
Fonte: Agência Brasil
>> Caros Amigos: Pobres pagam mais imposto no Brasil
Por Lúcia Rodrigues, na Revista Caros Amigos
A carga tributária brasileira é profundamente injusta. Os trabalhadores que recebem salários mais baixos trabalham três meses a mais do que os ricos, para pagar tributos. A propriedade e o capital sofrem baixa taxação. E os latifundiários praticamente não pagam imposto sobre a terra. O percentual despendido para o pagamento de tributos é inversamente proporcional à renda dos brasileiros.
>> Os multis Bunge – a jazida de fosfato em Anitápolis/SC
No município de Anitápolis, 100 km distante de Florianópolis, a capital do Estado de Santa Catarina, uma joint-venture da Bunge-Brasil (subsidiária da Bunge-EUA) e Yara-Brasil (subsidiária da Yara-Noruega), está tentando explorar durante os próximos 33 anos uma mina de fosfato, uma verdadeira catástrofe ecológica.
>> O Abuso Corporativo
Por Lila - Colaboradora da Escola da Mata Atlântica
Já faz alguns meses que circula na internet o boato de que a multinacional de sementes transgênicas MONSANTO havia entrado com uma liminar para retirar de circulação a cartilha sobre alimentos orgânicos feita pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). E o resultado?
Embora essa notícia tenha gerado muita polêmica, representantes da empresa no Brasil alegam que não passa de boato, e outras fontes afirmam que essa medida foi tomada por parte dos próprios integrantes do ministério para corrigir divergências geradas por afirmações contidas na cartilha, tais como: a diferenciação em qualidade entre alimentos orgânicos e convencionais e a ênfase dada ao consumo de orgânicos como fonte de alimentos seguros para o consumo, uma vez livre de agrotóxicos.
O Presidente da Câmara Temática de Insumos Agropecuários do MAPA, Sr. Cristiano Walter Simon, diz que “É arriscado simplificar o conceito de que os produtos orgânicos são necessariamente saudáveis e seguros, já que podem apresentar contaminações biológicas e físicas, além de químicas, se não houver rigoroso monitoramento. (...) É um risco difundir o conceito de que todo alimento orgânico é saudável.”
A Câmara Temática é composta majoritariamente por representantes da indústria de “insumos” (leia-se agrotóxicos, fertilizantes e sementes melhoradas), o que nos leva a crer que como toda polêmica tem um fundo de verdade, essa seria mais uma envolvendo a multinacional, que já é difamada há décadas desde o lançamento do pesticida Roundup que acarretou diversos processos judiciais contra a empresa por propaganda enganosa e contaminação da cidade de Anniston, nos Estados Unidos, vitimizando centenas de pessoas por causa do vazamento de um óleo químico utilizado em transformadores elétricos, que foi produzido entre 1929 e 1971, do qual a empresa estava ciente dos danos. Estas informações são encontradas no documentário "O Mundo Segundo a Monsanto" [acesse o playlist do filme aqui]
Estamos vivendo um momento crítico onde as informações disponíveis são deturpadas, pois parece que não há intenção de esclarecer o público sobre as nefastas modificações que estão fazendo sorrateiramente na produção mundial de alimentos em nome do agronegócio.
>> "Entre o dicho y o hecho, hay um trecho" ou Novas notícias das terras Mexicanas
por Tainá Miê - Coordenadora Pedágogica da Escola da Mata Atlântica
Mais um mês aqui nessas terras mexicanas e pude vivenciar um pouco mais desse universo tão familiar e tão diverso ao brasileiro. Saí da Cidade do México rumo às florestas úmidas litorâneas do estado de Veracruz, conhecidas como Bosque de Niebla, traduzindo, Mata de Neblina, ou seja, a Mata Atlântica mexicana, entretanto, sem os abundantes rios e corrégos.
A paisagem não se pode diferenciar de Paraty ou Ubatuba: Guapuruvus, Jerivás, Jacarandás, Erytrhinas, Ingás. Parece que as espécies de fauna e flora também gostam muito de viajar, assim como os humanos, e por aqui chegaram muito antes de mim, ou daqui se foram?
Fui conhecer um centro de Agroecologia coordenado por uma famìlia, o "Las Cañadas", com casinhas estilo Gaudí, lindas hortas em mandala e uma cooperativa com os funcionários, tudo bem organizado e envolto pela linda paisagem do vulcão nevado chamado Orizaba. O centro se mantém de oferecer cursos ao pessoal urbano interessado em construções alternativas e produção de alimentos agroecológicos, em um esquema bem similar aos institutos de permacultura do Brasil.
Aproveitei para conhecer os cafezais baixo sombra, que participam de um projeto da Universidade de Chapingo, a maior universidade rural do país, onde apesar dos cursos convencionais à la modelo Revolução Verde, conta com um Departamento de Agroecologia.
>> Agricultura familiar permite produção maior em menor área
por Danielle Jordan / AmbienteBrasil
A agricultura familiar é capaz de produzir mais em um espaço menor, segundo informações divulgadas pelo Censo Agropecuário 2006, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE). Pela primeira vez esse modelo foi retratado nas pesquisas.
O setor é responsável por quase 75% da mão-de-obra no campo e responde pela produção de 70% do feijão, 87% da mandioca e 58% do leite consumidos no Brasil. A produção anual chegou a R$ 13,99 mil.
>> Agrotóxicos no seu estômago
Por João Pedro Stédile
Os porta-vozes da grande propriedade e das empresas transnacionais são muito bem pagos para todos os dias defender, falar e escrever de que no Brasil não há mais problema agrário. Afinal, a grande propriedade está produzindo muito mais e tendo muito lucro. Portanto, o latifúndio não é mais problema para a sociedade brasileira. Será? Nem vou abordar a injustiça social da concentração da propriedade da terra, que faz com que apenas 2%, ou seja, 50 mil fazendeiros, sejam donos de metade de toda nossa natureza, enquanto temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.
Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção do modelo agrícola do agronegócio. O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muito agrotóxicos e máquinas. Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores do interior. Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química...), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas.
